sábado, 30 de setembro de 2017



Lembrei de uma noite,
após noitada de Serra Malte,
no bar.

Falamos de mil coisas,
família,
amigos,
até sonhos de filhos.

Já não estávamos normais.

Chegamos na parada.
Era tarde.
O ideal era pegar o Bacurau.

Parada inacreditavelmente
deserta.

Liguei o som do celular.
Botei para você escutar.

Aliás, você não gosta de Caetano.

Mas gostou do som.

Afastei-me um pouco,
você olhou para os lados,
se aproximou.

E me arrebatou,
em um beijo.

Apenas um beijo.


#histórias

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Nos diversos dias que te perdi...

Erros.
Meus.
Seus.
E eles decretaram um fim.
Ou ameaçam.
Mas este fim eu já espero.
Porque não acredito no silêncio sem acreditar na distância e sem acreditar no breve "acabou".
Simples.
Prático.

PRIMEIRO DIA:
Mando uma mensagem.
Preocupação aleatória.
Visualizado
e
não
respondido.
Apenas doeu o peito.
Dor
soltada
num
foda-se.

SEGUNDO DIA:
Me perdi de mim.
Fui a um dos nossos lugares.
Me isolei.
Fugi dos aproveitadores.
Tive esperança
de
te
ver.
(mas sabia da
impossibilidade)
Resultado:
Uma
dor
de
cabeça
adquirida na beleza ilusória
da Maria.
(se o fim for decretado,
ela também se irá)

TERCEIRO DIA:
Continuo
chorando.
Me maquiei
como há tempos
não fazia.
Bloqueei
mensagens
e
desbloqueei.
Contei a pessoas.
NÃO DISSE QUE NÃO TINHA
ERRADO.
Encontrei um pouco
de
paz
nas respostas.
O que não me impediu de chorar
quando senti
que o fim pode ser inexorável.
Fui andar na praia.
Parei no canto.

AQUELE...
Chorei com um careta.
Decidi:
Voltarei com ele
Assim que o fim for
dito.

QUARTO DIA (Hoje):
Acordei com vontade
de pintas as unhas.
Vermelhas.
Há tempos
não
pintava.
Botei músicas fora
do nosso
círculo.
Tenho muito
a pensar.
Coisas
para fazer.
Mas, ainda sinto vontade de chorar.
Porém,
sairei da toca,
farei um café,
vestirei a máscara.
E sairei para o mundo.

(talvez eu prossiga. Mas não já)

quinta-feira, 7 de setembro de 2017



"Há dias em que acorda e, apesar de tudo, só se quer chorar. E chora por qualquer coisa. Por uma música de um desenho infantil, por ouvir algo que não agrade (sem que isso tenha tido a intenção) de outra pessoa, por qualquer música mais pensativa e forte, ao pensar na vida, ao se dar conta de coisas que acontecem e você ainda não sabe como fazer, o que pode acontecer amanhã.
Pode ser que, amanhã, tudo isso passe e eu volte a ser eu - ou finja que eu sou eu, voltando a esconder o universo sombrio que me invade.
Mas, hoje? Hoje é o dia de temperar tudo o que eu faça com a marca de uma lágrima."

sábado, 29 de julho de 2017

Você vai me perder.


Você pode me perder. E não falo na perda inerente a todo e qualquer ser humano - a inexorável morte, destino de todas as almas vivas. Falo de me perder enquanto mulher, enquanto alma, enquanto alguém, enquanto coração.
E tenha certeza de que isso está mais perto do que imagina.
Não lhe neguei tudo. Talvez o maior erro esteja nisso: não ter coração para negar, e mesmo quando negava, arrumar um jeito de compensar - de um jeito que nunca lhe desse a impressão de que foi por pressão, por acalmar ou para estabilizar nada.
Você vai me perder porque estou cansada.
Você vai me perder com o pagamento antecipado de todas as lágrimas que tenho vertido. De todos os silêncios que tens dado. De todos as vezes que eu me perguntei "se eu não sou interessante, por que diabos ele anda está aqui?". De todas as vezes em que uma palavra se tornou um tapa, que todos os não feitos se tornaram necessidades e que a carência se tornou uma necessidade.
Você vai me perder porque eu tentei, de todas as formas. E me pergunto como foi que aconteceu, como foi que me tornei cega e/ou decidi insistir tanto.
Você vai me perder aos bocadinhos, sem ao menos pensar.
Eu ainda vou tentar. Mesmo que doa.
Mas, ao mesmo tempo, cada vez menos querendo precisar de você. Cada vez menos o associando a mim. Cada vez menos querendo você em meu mundo.

Você provavelmente vai me perder no dia em que você se der conta e não aguentar.
Porque, na verdade, a pior perda está em não tentar, em não entender.
Você tem as alternativas.
Mas...

Quase total certeza desta verdade, que aos poucos se revela.
 


Não vens. E não te importas em vir, pois o que queres, sabe que terás.
Sabes que o coração sofre, sangra... Mas, sabe que terás o que queres.
Porque o que mais me enfraquece (ah, a fraqueza que tu deves tanto amar!) é depender de ti e dos teus carinhos.
Por mais que sejam raros.
Por mais que não sejam aquilo que eu espero.

Teu silêncio sobre mim é algo que apavora.
Que fere.
Que me dói.
Porque não é o mesmo que vejo ao meu redor.

Ao meu redor, há uma normalidade.
Sobre mim, o silêncio.
O nada.

E, esse nada aumenta.
Aumenta com a falta de palavras.
Aumenta com a facilidade em não pensares no que falas.
Aumenta com a igual facilidade em "compensar".
(mesmo que este compensar venha com teus lábios soltando a doce "fiz pra não deixar nervosa" ou "pra te acalmar")
Eu não preciso de calma. Apenas preciso de amor.

No entanto, negas o pouco que podes dar (tempo) e, ao mesmo tempo, reclamas o pouco que invisto (dinheiro).

Enquanto isso, eu me destruo em silêncio.
Vou morrendo.
Vou sofrendo.

E o que tu fazes?
Segues.
Assim foi e assim será.


Preciso aprender a seguir.
S.O.Z.I.N.H.A.

sábado, 15 de julho de 2017

#Dica(in)sana: Por que (ainda) precisamos ler a trilogia "O Estudante"?



"Meu nome é Roberto. Tenho quinze anos. Estou escrevendo a vocês,
porque preciso desabafar à grande dor que me queima lá dentro. Poderia
desabafar com um parente qualquer. Mas, a mágoa é grande demais, tão
grande que transborda de meu coração e enche o universo. Então fiquei
horas e horas em meu quarto, indo de um lado para outro, num desespero
sem fim, até que uma luz clareou meu cérebro: a ajuda só poderia vir dos
colegas de todos os colégios de meu país. Então sentei-me e comecei a lhes
escrever. Vocês, por favor, perdoem a letra trêmula que não vem de meu
estado emocional, mas sim da terra úmida que ainda cai de minha mão ,
apesar de já fazer horas que as enchi e só não tive coragem de jogar sobre o
caixão de meu irmão."

(CARRARO, Adelaide. "O Estudante", página 4)

Para ler a história completa, clique aqui.



Possivelmente, eu faço parte da última geração em que este livro, datado de 1975 e várias vezes editado, era uma leitura primordial. Ou talvez tal facilidade tenha vindo dos privilégios que tive ao longo da minha formação literária (mãe professora e depois trabalhando em biblioteca, acesso, na escola do meu Fundamental 2, a um riquíssimo acervo, meus anos de mediadora de leitura e o curso de Letras, atualmente). Não sei.
Li-o, pela primeira vez, aos 13 anos, não lembro bem quem foi a fonte (O CICM? Minha mãe? A memória não me ajuda). Lembro de como a leitura me fascinava e me chocava ao mesmo tempo, vendo a história de uma família rica, bem ajustada, com dois filhos legítimos e uma filha adotiva; de como esta família foi afetada com a entrada do filho mais velho (inicialmente um modelo de bom filho, irmão, amigo, pessoa) no submundo das drogas e do tráfico.
A história versava sobre como a adolescência (suas dúvidas e suas relações sociais) vira alvo fácil para motivar o vício nas drogas, e de como quem está no topo da cadeia dos entorpecentes visualiza quem é colocado dentro deste universo.
Vide um trecho:

"- Você acredita que o viciado, depois de tomar drogas, se sente forte, corajoso e vê coisas lindas,
mais coloridas etc.?
- Nem continue, pois eu estou rodeado de viciados, todos os meus guardas são viciados e lhe posso
garantir que qualquer viciado em drogas torna-se sonolento permanentemente, fraco nos estudos e não tem vontade de sair do lugar, fica mentiroso, grosseiro, descontrolado, insolente e sexualmente
fraco. Não respeita nem Deus, pais ou família, enfim podemos dizer que se torna um animal. Já conheci diversos viciados que se tornaram criminosos. O viciado esquece de si mesmo e daí sobrevêm grande desnutrição acompanhada pela falta de higiene, levando-o mais cedo para a morte. O único pensamento do viciado é arranjar dinheiro para comprar droga. Quando não consegue com os pais, parentes e amigos, ele vira ladrão. 
[...]
- Não entendo como você, conhecendo todos esses tétricos males, ainda continua com esse monstruoso comércio. Você não sente dó nem piedade por esses estudantes?
- Não. Sinceramente, eu os desprezo, porque eles é que estão se destruindo. Se eles não quisessem se
viciar, não se viciariam. Duvido que algum traficante convença meus filhos a se viciarem, a provar drogas. Os meus filhos têm um grande caráter e não se deixarão iludir, não são uns frustrados como esses idiotas estudantes que acreditam que a droga poderá fazê-los corajosos, machões."

(páginas 86 a 87)

E de que tipo de viciado estamos falando?
Vocês, com certeza, sabem dos viciados da Cracolândia. Já viram pelas ruas algum jovem/adulto/idoso em estado de prostração, ou o que chamaríamos vulgarmente de "podridão humana", "farrapo", o que valha. Viram o caso de Andreas Von Richthofen, a quem vemos o vício como marca da tragédia efetuada por sua irmã.
O debate de descriminalização das drogas está sempre sendo levado à baila. Não, eu não estou aqui fazendo apologia a quem use qualquer tipo de droga, mas lembremos que álcool ou cigarro são drogas, e drogas legais - cujo excesso/vício é um problema de saúde e não jurídico. No momento em que pensamos no quantitativo de pessoas que experimentaram ou se usam de alguma substância ilícita - e não se iluda, a quantidade é maior do que imagina, dê uma pesquisada no Google -, podemos notar que é QUASE impossível impedir o acesso às drogas, especialmente aos adolescentes, sempre em busca de coisas novas. (botei o quase em destaque para que lembremos das exceções, sempre das exceções).
Quem lucra com o tráfico? Não é o viciado, que gasta, gasta e acaba por não ser tratado de forma devida, é marginalizado. Não é o traficante menor, o pé-de-chinelo que sustenta seu vício ou o que acaba virando "chefe de favela/boca". São aqueles de cima, alguns que estão inseridos até mesmo dentro da nossa política (cês lembram do helicóptero de cocaína?). É o tráfico que intensifica, transtorna e mata. E é contra o tráfico que devemos focar nossa maior atenção.

No entanto, enganam-se quem pensa que a história aqui termina. "O Estudante" ganhou duas sequências, com o narrador-protagonista Roberto contando sobre sua família após a morte do irmão (sim, é spoiler, mas que eu já dei a dica logo no comecinho, né?)


O segundo livro, com o subtítulo "Mamãe Querida", aborda temas tão espinhosos quanto a questão das drogas: a depressão, centrada na figura da mãe e do pai de Roberto; a defesa por um tratamento humanizado frente aos descuidados dos hospitais psiquiátricos (esta parte vivida por Lídia, a mãe); o crescimento acelerado de Roberto, assumindo praticamente toda a família no período; a rejeição de uma escola de elite à Rosana, filha adotiva escolhida por Renato (o filho morto), por conta de sua cor (ela sendo mulata), mais as descobertas acerca da origem da menina. A história também enfoca com mais destaque o crescimento da jovem, que começa a desenvolver a faceta elitista (dando uma lida sobre Adelaide Carraro, percebi que ela tem obras bem focadas neste tema, o que faz dela considerada uma "escritora maldita") do orgulho, esnobismo e até mesmo do racismo, antes de se descobrir adotada. Sim, coloquemos a violência (sequestro e meninos de rua) dentro do enredo, já que são cruciais para o desenvolvimento dos acontecimentos com a família ao longo dos anos.
Não tenho ideia do ano de publicação deste livro, mas suponho que foi pelos anos 80 - visto que a história pega o período de tempo entre a primeira infância até os 15 anos de Rosana.
Nesta obra, os criados da família - Zefa, a cozinheira, e Walter, o motorista que vira o melhor amigo do protagonista - são personagens de destaque.

Mas, obviamente, vem mais emoções por aí.


O terceiro livro, com o subtítulo "Por um Brasil sem racismo", tem (que coisa óbvia, não?) o racismo como tema principal. Agora, temos Roberto, um adulto, e Rosana. O amor entre os irmãos adotivos, que acaba em casamento, é estremecido graças à personalidade da esposa, que não aceita ser considerada negra, renega a mãe biológica e a própria filha, nascida no meio da trama. Temos mais três personagens importantes dentro da história: Vítor, que aparece no livro anterior, mas aqui é de extrema importância para o final feliz da trama; Alex, o primeiro namorado de Rosana e a imagem fiel da alta sociedade ególatra e racista e Ângela, com quem Roberto se envolve e antagonista maior da irmã adotiva e depois esposa dele.
Este livro (dos três, o único que possuo e ainda mantenho comigo) data de 1992, mesmo ano do falecimento da escritora de câncer. A mensagem inserida está bastante focada no confronto entre as regras sociais e o amor independente da cor e condição social (podemos colocar a questão Deus na história, visto que é na fé que as situações são enfrentadas).

Nas três obras, Adelaide Carraro não se coloca como escritora, mas como alguém que transcreve o narrador-personagem. O diálogo entre os dois dá ao texto um tom mais informal, como se os dois, de certa forma, dialogassem pela narrativa.

"Como lhe disse, escritora, é uma narração mal escrita, pois meus quinze anos estão bem lá embaixo. Não tenho mais aquela veia poética ou narrativa, mas estou me esforçando. Não vá dizer que o livro está chato, hein?!"
(CARRARO, Adelaide. "O Estudante 3", página 58)

Mas, aí retorno à pergunta-título: Por que ainda temos a necessidade de ler a trilogia, considerando que o último livro possui mais de duas décadas de distância dos nossos adolescentes?

Pensemos:
Mudamos nossa visão sobre o tráfico?
Mudamos nossa visão sobre os problemas psiquiátricos?
Mudamos nossa visão sobre o esnobismo das elites?
Mudamos nossa visão sobre a violência?
Mudamos nossa visão sobre o racismo?

Se houver a resposta "não" a pelo menos uma destas perguntas, leia todos estes livros.
Infelizmente, em pdf, achei apenas um primeiro...
Mas é um começo.
E vai valer a pena.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

#algumahistorinha: Alice diante dos espelhos.

(ouça isso enquanto ler)



Quando entrei lá, no nosso pequeno pedaço de solidão, enquanto te distraías, deitei-me na cama, e confrontei-me com o espelho do teto.
Olhou Alice os olhos de outra pessoa.
Uma pessoa que não era ela.
Alice se perdia em pensares, no caminho ao País das Maravilhas, quem poderia ser se ela não fosse ela.
Eu só queria saber onde EU estava.
Certamente, não estava naqueles olhos tristes que já tinham vertido várias lágrimas sem teres visto.
Naquela face sóbria, naquela face sombria.

Já disse que odeio espelhos?
As câmeras e fotos não valem, elas registram um momento, não o todo.
Espelhos dão um olhar mais intenso em si mesmo.
Imaginemos vários, ao meu redor.

A música me fazia atordoar.
As lágrimas desciam sem esforço.
Chorava cada dor, cada cansaço.
Cada solidão.
Onde eu estava?
Por que deixei aquele corpo tão infeliz?

Ao saíres, fui eu a espairecer.
Água quente sobre o corpo.
Mergulho sem medo. Sem pena.
O calor me faz esquecer os desgostos.
Me recolocou a alma no lugar.

Importava que ali, agora, eu estivesse. Importava que aqueles espelhos me cercassem e eu acabasse por olhar para eles, que eles fossem minhas testemunhas.
Terminei, vesti-me, saí.

Na mesma cama, olhando para o mesmo espelho.
Tu, e apenas tu estavas ali.
Sem nada que lhe cobrisse.

"Por que não vens?"

Pedi que me buscasse.

"É muita manha."

E tu, apenas tu, despido de tudo que eras, viesse a mim, me levou para abaixo do espelho.
E, por tempos, esqueci dele.

Até acordar e perceber o reflexo daquele sobre outro espelho.
Na parede.
Mostrava apenas nossas pernas, juntas, em descanso.

Nunca amei tanto um espelho assim.
Aquele que transmitia toda a poesia do ato consumado.
Que vence toda e qualquer fotografia.

Alice busca outro mundo através do espelho.
Eu encontro algum motivo de seguir diante dele.
Dele?
Do espelho
e/ou
De ti.


(Se buscam significados, voltem noutra hora)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Sororidade. Precisamos aprender a praticar.

"Dois nus numa floresta" (Frida Kahlo, 1939)
Antes de mais nada, você sabe o que é sororidade?
Sabe que esta palavra existe, mesmo que, no seu teclado, ela sempre apareça com o sublinhado vermelho, indicando erro?

Mas, vamos nós, definir o que é:

"Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum."

A sororidade é uma das bandeiras do feminismo, baseado na perspectiva de que, na nossa sociedade, é a competição entre mulheres, é a nossa capacidade de julgá-las mais do que a dos homens que faz com que o machismo se perpetue. E o pior de tudo: como isso é encarado como algo natural, até mesmo com toques de humor.
Quer um exemplo?
Quantas vezes, em um filme ou novela, você já viu a cena de duas mulheres, em uma festa, usando o mesmo vestido e, consequentemente, tendo estes caminhos: 1. As duas putas com a pessoa que fez, porque deveria ser "exclusiva" a peça; 2. Uma comparando a outra, vendo se o vestido ficou melhor ou pior na outra (sentimento de inveja ou superioridade); 3. Rolar barraco.
E achamos engraçado tudo isso.
NÃO TEM GRAÇA NENHUMA!
Apenas mantemos a tradição de que cada uma de nós devemos ser perfeitas, em detrimento à outra.

Vamos à próxima questão (veja que ainda trato de questões cotidianas, "naturais"):
Em um relacionamento, rolou traição. Um término traumático. Enfim, o amor acabou, teve fim, hora de partir pra outra.
O que dizem mulheres para mulheres?
1. Não soube segurar o homem (caso sendo ela a traída ou abandonada);
2. É uma vagabunda (caso tenha sido ela quem traiu ou abandonou);
3. Destruidora de lares, a "outra" (no caso dela ser a razão do fim de um relacionamento).
Vocês estão entendendo? Temos conceitos já pré-definidos em relação à mulher, já preparados para a posição em que porventura ela esteja.
Por isso, precisamos do feminismo. Ou pelo menos, desta parte:

"Do ponto de vista do feminismo, a sororidade consiste no não julgamento prévio entre as próprias mulheres que, na maioria das vezes, ajudam a fortalecer estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista e patriarcal."

Você não precisa ser feminista para entender que nós, mulheres, não precisamos competir. Nem precisamos nos julgar e nos classificar.
Vejam como os homens, mesmo quando errados, estão unidos. Juntos.
Então, façamos o mesmo:

Nos compreendendo,
nos unindo,
nos amando,
nos protegendo.

INDEPENDENTE DE TUDO, SOMOS MULHERES!



REFERÊNCIAS:
https://www.significados.com.br/sororidade/

quinta-feira, 22 de junho de 2017

#InclinaçõesMusicais: Uma homenagem ao São João.


Primeiramente, vou avisando que esta postagem demandou praticamente TODA a minha habilidade em informática - melhor dizendo, relembrando uma cassetada de coisas que eu fazia lindamente quando o meu tempo era menos atribulado e/ou eu possuía mais demandas para criar filmes, fazer upload no blog, converter arquivos de música e de vídeo, pesquisar a respeito da temática... Vocês entenderam a pressão da coisa?
Bom, tomara. A intenção principal desta edição de quiçá minha seção favorita é trazer, através de uma música, uma homenagem ao São João.

Se há uma das pouquíssimas festas no mundo em que tenho algum tipo de tradicionalismo, é o São João. É (ou deveria ser) a época de relembrarmos aquele bom forró do tipo rala-bucho, um xaxado, um xote, um coco, um baião... É uma festa nordestina, uma festa que a maioria do povo "lá de baixo" não tem ciência da complexidade deste evento.
Sou apaixonada pelas fogueiras, quadrilhas, roupas de matutas, músicas... <3 p="">

Cof,, cof... Mas, enfim, né?
A música de hoje vem do ano de 1987. É parte da peça "Bandeira de São João", composta por Ronaldo Brito e Assis Lima (os mesmos autores de "Baile do Menino Deus"). A música abaixo, se chama "Louvação", é cantada por Antônio Nóbrega. Um registro raríssimo, que não achei nnem no YouTube, e disponibilizo aqui e agora:



Pra acompanhar, vide a letra.
Para baixar o disco todo, clique aqui e se delicie.
No mais, sem mais. Feliz São João.

Post scriptum: Ainda não consegui ler a peça/ o livro. Ainda estou devendo esta na vida....

domingo, 18 de junho de 2017

Apenas drama.

Não há refugio maior do que meu quarto.
Nada me importa.
Encho meu espaço com músicas.
Choro.
Minha mãe bate na porta. Quer que eu coma, que eu veja missa, que eu fique do seu lado.
Eu brigo.
Eu choro.
Posto coisas nas redes sociais, mas as deleto.
Bloqueio pessoas.
Saio de grupos.
Digo a uns que é breve, vai passar.
Estou juntando forças para amanhã.
Onde buscarei, no mundo, o melhor esconderijo.




Me sinto um belo de um fracasso.
Me sinto pronta para a morte.
Não culpe homem, sistema, objetos, nada nem ninguém.
Tenho nas mãos apenas uma dor visceral, não física.
Quero e preciso ficar sozinha.
E, por mais que digam que querem falar depois, não é isso que procuro.


Eu só queria que Deus fosse misericordioso e me levasse embora deste mundo.


Por que eu continuo viva?
Por quê, porra?




Ah, é verdade, isso é apenas um drama.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ele adentrou neste meu mundo.
Alcançou um lugar, talvez, não no "ratear" de antigas quartas-feiras.
Com certeza, não foi quando descobri em si um lugar de abrigo para meu apagar tão comum.
E, provavelmente, não no beijo dado em um começo de noite, em beira-mar (lugar, obviamente, traumático para mim por anos, sanado naquele momento).
Na verdade, quando ele adentrou no meu mundo, precisou de tempo para que ele pudesse entrar.
E mais tempo para que ele considerasse este espaço o seu  abrigo.
Ambos tivemos nossos medos. Como soldados que, mesmo cientes de que eram ambos derrotados, mantinham-se em pé, no medo de cair primeiro.
Um dia  - ou melhor, uma noite - uma pergunta jogada no ar:
"Você gosta de mim?"
E um nome apareceu em nossa história.
Um novo lugar no mundo foi aberto.
E, hoje, a vida é harmonia?
Plenitude?
Perfeição?

A bem dizer a verdade, eu não tenho certeza total.
Sempre preferi as palavras. Ele prefere as ações.
Estou aprendendo a entender os gestos.
A mania dele é só falar quando eu explodo.

Me acostumei a rir por dentro quando o vejo dando uma careta ao perceber-me em seu ombro.
Ele se acostumou a reclamar de qualquer coisa que eu posto/escrevo.
Ao mesmo tempo, percebo nele (sempre mais capaz de seguir sem isso, mas não querendo dizer que não haja) a mesma ânsia de carinho.
O mesmo desejo de cuidado.
Continuo a dizer que não sei de fato o que ele sente.
Mas, em verdade, depois de tempo, eu não consigo ainda dizer o que eu sinto de todo.
Eu presumo que ele saiba.
Como, em alguns instantes de ternura, eu vislumbro em seus olhos o que ele não diz.

No jogo de sentir e não saber falar, mas seguir,
Estamos ainda seguindo.
Sem certeza de nada,
sem futuro claro,
sem tanto tempo-espaço...

No momento, o tempo é tão pouco.
O espaço é restrito.
A certeza leve que tenho é que estou no mundo dele.
A certeza plena é que ele está no meu  mundo.

E isso, por agora, basta.

Será que você também aguenta esse aqui?

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