sábado, 21 de março de 2026

Ana Paula Renault, o vestido, e a coragem de dizer NÃO.


 Eu não vou mentir: assisto pouco ao BBB. Na verdade, sou uma apreciadora virtual ao programa, só assistindo quando o negócio fica quente para mim (ou quando não preciso conter minha dor, como no caso da saída do Babu Santana, que era meu favorito até entrar no jogo bosta que estão querendo tornar enredo até aqui). Me contento com o que acompanho nas redes Meta ( o X? Ainda mantenho conta, mas desisti imensamente de interagir lá... Tenho palpitação quando preciso reagir ao ódio recorrente de lá, e vai ser o motivo de, em breve, correr do Threads), pois, apesar de defender que o BBB é uma cultura inútil, vivo uma vida tão restrita ao sério (vulgo trabalho) e nunca neguei gostar disso. E, preciso confessar: o programa é um microcosmo onde a gente vê como as pessoas são e como reagem. 

Nos últimos anos, é interessante ver como o fanatismo aos jogadores cresce e como muitos relativizam determinados pontos para sustentar um jogador: foi assim com a Juliette, o Arthur Aguiar, o Davi (dos três, de longe o pior...). Criamos uma narrativa onde o coitado, a vítima, o perseguido supostamente frágil e indefeso se constrói com facilidade, garantindo sua vitória do começo ao fim. E, até então, apostava o mesmo com a Ana Paula Renault. 


OLHA ELAAAA... DE NOVO!

Explicando (para supostos leigos entre as almas caridosas que ainda acompanham isso aqui): a Ana (AP, como eu escrevo online; Ana Clara, pro Alberto Cowboy) esteve no BBB de 2016, onde causou muito, foi favorita do público, criou auge no retorno ao paredão falso, mas foi expulsa por estar bêbada, ser provocada e agredir outro participante, gerando uma expulsão justa (por estar nas regras) mas com muita revolta popular (por estar claro que se aproveitaram de seu estado para provocar). 10 anos depois, foi convidada a voltar e, até aqui, tem sido favorita, mesmo que tenham tentado:

- Relembrar seu passado;

- Usado sua família;

- A isolado;

- Descredibilizado suas posturas;

- Tentado até tratamento de silêncio;

- Provocado por seus privilégios;

- Questionado suas opiniões;

- Até a impedindo de comer.

Claro que, até aqui, as coisas são relativizadas por ela ser branca, rica, padrão. Se tivessem feito metade disso com a Milena, sabemos onde cairia (e eu não tiraria a razão de quem completar meu pensamento, pois concordo plenamente). Mas, é estranho que uma pessoa tachada de "desumana" tenha recebido um tratamento tão hipocritamente igual.
Tá, vamos ser sinceros aqui: A Ana Paula não é santa. E é isso que a difere dos campeões citados acima. Ela não abraça o coitadismo, reage e de maneiras bem diretas, quase beirando ao infantil. Mas, ao mesmo tempo, é a que consegue segurar brigas até mesmo entre pessoas que não são suas aliadas, por medo que elas sofram o que ela sofreu, Quando a Sol a agrediu, ela não se vitimizou, nem fez campanha. Reage verbalmente, e tem feito um trabalho de não cair no mesmo erro de outrora, mesmo o Babu - e isso me fez doer o coração, pois torcia por ele - querendo isso. Todas as tentativas, até aqui, não deram certo.

Após a introdução, vamos ao ponto em que REALMENTE eu me encantei pela "bruxona" (outro termo comum a ela na internet):

SUA CAPACIDADE DE TER LIMITES!



Há algumas semanas - e tem sido recorrente até hoje - a Ana Paula tem sido esculhambada até por aliados por ter se achado feia em um vestido e, por consequência, ter se recusado a ir pra uma festa por isso. Não foi a única a sentir isso, mas foi a única a NÃO ACEITAR, a DIZER NÃO. Mesmo ciente de que poderia se ferrar. 
E isso, em mim, marcou.
A Ana tem 44 anos. Eu entro nos 40 daqui a um mês e alguns dias. E ela, tendo condições melhores que as minhas, não se sentiu confortável em uma roupa e foi esculachada por mulheres que ou tem o corpo jovem padrão/ transformado por procedimentos estéticos (E QUE FIQUE CLARO: DIREITO DELAS) ou por pessoas que acham seu desconforto uma coisa de "chata".
Aqui, pauso pra Ana e volto pra mim mesma, que é a razão para ainda manter esse blog. Pois, desde sempre, ele é meu e para mim - lamento informar aos incautos que aqui chegarem.
Roupa, por mais cara, por mais marca, por mais bonita pro outros que seja, não é algo que eu tenha, ultimamente, sido muito abrangente. Até uso decotes, mesmo ciente que  meu busto não é mais firme, que meu corpo não seja desejável. E, como tenho mudado de peso bastante, alternadamente, e sofra de estrias desde adolescente, a coisa piora.
Isso me faz entender muito a Ana. E aplaudir que ela não aceitou qualquer coisa, por mais de marca, por mais cara que seja. O que prova, ao meu ver, que tudo isso não adianta de nada.


Há algo no vestido que me incomoda - e é algo que me fez dispensar um vestido que adorava há anos atrás: a fenda superior lateral cavada. Quem não tem peito firme, praticamente se coloca exposta a observação, porque o vestido não permite um disfarce, só com, talvez a fita que serve de sutiã (que usei e detesto). Até acho o vestido bonito, ficaria legal na minha cor (na Ana ficou apagado), mas - e só comprovo quando vi diversas inflencers se esforçando pra tentar deslegitmizar o vestido (e falhando muito, ao provar que só prestaria se fosse a parte superior encoberta por outra roupa) - ele sozinho não se ajuda. 
Mas EU negar, é uma coisa, Eu não gastaria mais de 1.000 reais em uma peça de roupa. E, se estivesse e um BBB (coisa que só rolaria se tivesse convite, e eu não tenho o cabedal para tal), talvez me passasse pra essa condição. Talvez eu entenderia e iria a contragosto, com cara feia, como a Solange Couto foi para a festa. Ou como a Chay, que engoliu o choro e foi.
Ter a personalidade da Ana, com certeza, vem muito de sua condição e privilégios, admito. De ser convidada e não selecionada; de estar ciente que sua personalidade forte a fez voltar a um lugar onde, via de regra, expulsos são tratados como pária; mas ela não tem certeza do que está lá fora. De como mulheres como eu - sem privilégio a não ser lutar por si mesma; sem riqueza; sem ser padrão - se sentiram contempladas com o seu NÃO a uma imposição que, se fosse uma pipoca, a teria queimado eternamente - se sentiram validadas e estimuladas a lembrar que SEU CORPO, SUAS REGRAS. E não estamos falando de sexo, de ser atraentes ou não, de se vestir para o mundo ou não. DE ESTARMOS BEM PARA NÓS MESMAS, PARA NOSSA AUTOESTIMA.

OBS: Isso não é nenhum convite a torcer por ela no jogo, se você não quiser. É uma reflexão ao que estamos, cotidianamente, sendo estimuladas - até forçadas, em último caso - a engolir para agradar ao mundo. Talvez a pessoa que vos digita NUNCA SEJA CAPAZ DE AFRONTAR A MAIOR EMISSORA DO PAÍS E, POR TABELA, SEU PROGRAMA MAIS LUCRTIVO; E AOS PATROCINADORES. Mas que bom que existe alguém para fazer isso, e nos deixar fortes para o nosso mínimo, para o nosso tribunal de pequenas causas.
Porque nossa autoestima NUNCA é uma causa pequena.


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