Caro Tempo...
Tem uma música gospel - acredito que é da Fernanda Brum - que diz uma frase interessante: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Ti". E tenho refletido muito nesta frase.
E, vale lembrar: Para mim, o Tempo é um braço de Deus, para além das convenções humanas. O Tempo não é fixo, ele se dilata, se espreme, se estende... Vai funcionando dentro da nossa vida, o resto - dias, horas, anos - tudo isso é criação humana e ponto de concordância social.
Mas, voltando ao tema - sim, as coisas cooperam para mim, que amo a Ti, Tempo/Deus, e sei bem que, de uma forma estranha e louca, já que eu não me ajudo muito, sou por Ti bastante protegida. Sim, as coisas tem cooperado para que eu, depois de alguns anos, desperte para algo que andei negligenciando para um caraaaaaaa...
A MIM MESMA.
E não falo em um sentido de aparência - essa guerra um tanto inglória eu tenho tentado. Falo de algo mais interior, que vem da confrontação da realidade e da colheita de suas escolhas, boas ou ruins - e, no meu caso, as duas. Não estou aqui, no entanto, para simplesmente agradecer as boas e lamentar as ruins, tampouco quero citá-las. Minha exposição pessoal tem certos limites que preciso aprender a treinar na escrita. Ao menos quando esses desabafos virem para o blog.
Eu quero falar do que tenho entendido e do que tenho tentado construir.
E foco no último verbo.
Nenhum RE.
É princípio mesmo.
Só este ano, eu tenho sentido a reabertura da alma à vida.
Dói pra caramba. Minhas crises de ansiedade se tornaram sinais claros de que, para sentir a intensidade das coisas, preciso de um apoio. Os grilhões mentais, que eu carrego desde sempre, gritam os limites que, em alguns momentos, até passo.
Mas, eu tenho entendido o valor da PAZ.
Tenho conhecido a PAZ.
E percebido que, na verdade, a paz está em coisas tão internas...
SER QUEM SOU: Eu sou maluca, Tempo. Isso é fato incontestável. Tem tempos, especialmente, em que isso tá florescendo e dói. Já cantou Chico Buarque: a flor também é ferida aberta. Precisou de um esforço imenso para a flor começar a abrir. Acredito eu que ela tá quase aberta. QUASE. Aquele quase que, se eu fizer uma escolha extrema, periga de murchar antes da abertura.
Mas, admito, o que mais tenho é tentado.
ESTAR ONDE ESTOU: Tipo agora. Ok, tenho acordado, nos últimos dias, às 3 da manhã - reflexo da atenção de toda segunda-feira. Ok, daqui a pouco terei que fazer um bate-e-volta para Escada (reunião com a GRE) e Caruaru (Aula do EJA e palestra), um dia em que um erro de cálculo no horário vai desmantelar tudo... Mas, acordei. Postei as coisas lá no Instagram (tenho feito uma coisa aleatória por tempos definidos, uma coisa por vez, ainda que besta. Mas isso ajuda na mente), joguei o tarô, pensei em Te escrever, sabe? Liguei o YouTube Music tocar, os pensamentos foram passando, cada coisas que... E, de repente, parou. Só tava eu, minha sala, minha janela, meu mundo. Eu e eu mesma. E isso me fez pensar no quão importante é parar e pensar que quer ser só eu mesma. A que, em silêncio, está ajeitando o blog - nem reparou, né, alma caridosa antiga? - e repensado em mil assuntos para colocar aqui. Sim, Tempo, eu sei o tanto de coisas eu preciso escrever aqui. Criar. Reconectar-me com a escrita, tem um lugar mais inseguro do mundo pra colocar coisas - e, por isso, a necessidade de sempre estar aprendendo a escrever melhor. Aprender a escrever, sem propriamente ser. Enfeitar ou atenuar demais. vai saber.
AINDA PRECISO SER MAIS FORTE, E PERDER O MEDO: Eu sei. E eu acho que minha maior crise pessoal está envolvida nisso - nessa pressão que sinto em me abrir completamente, ser clara e direta com o mundo. Sim, pelo menos nas relações humanas, o rigor e o limite ainda são um problema claro. Mas, acho que o problema é que meus grilhões mentais funcionam de uma maneira diferente. Eles voam, eles são maiores por terem vazão.
O que eu fazia, quando era jovem, caro Tempo? Escrevia. Cadernos incompletos, aqui, postagem de Facebook. Sou do textão muito antes de ser modinha. Poesias soltas que, relendo há alguns anos atrás (e preciso perder a vergonha de falar deles, são uma parte de mim, então RECEBA!), vi neles uma menina que reconheci profundamente. Escrevia bobagens? É, talvez. Bagagem de jovem vivendo tudo com o entusiasmo de sua sina de não ter sido na faixa etária certa, quem sabe. Mas, me reencontrei ali, certamente e profundamente.
Tantas coisas que deixei passar em mim porque tive medo... E, ao mesmo tempo, não me arrependi da Thaís que tentei ser, e que PERMITI que se esquecesse, se perdesse de mim.
(por isso que vale a pena escrever as coisas nestas bandas)
É isso. Espero que, na próxima, eu seja menos prolixa.
Mas, vou tentar também escrever mais.
Qualquer coisa.
Vou aqui pensando...









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